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Entrevista – Arne Meyer – 23/5/2013

(Republicação de um artigo de 2013)

Aqui fica a minha entrevista feita a Arne Meyer, um dos dois membros da Naughty Dog, envolvidos na criação do jogo The Last of Us que estiveram presentes no evento que ocorreu, no Teatro da Comuna em Lisboa no passado dia 23.

Como surgiu a ideia para criar o The Last of Us?

Isso é uma pergunta um pouco complicada, pois existem várias coisas que influenciaram na sua criação, eu penso que a principal foi uma sequencia do Uncharted 2, em jogamos com o Nathan Drake e Tenzin, temos de atravessar uma caverna de gelo, eles não falam a mesma língua e têm de aprender a confiar um no outro de maneira a conseguiram superar esta situação juntos, o que nos interessou realmente nisto foi a maneira como eles se ligam ao serem postos nesta situação e a maneira que encontram de se relacionar.

Por isso quisemos explorar isso, esta foi o género de bases de como explorar estes temas centrais que se relacionam a nós como humanos, tentámos descobrir como pôr as nossas personagens e as personagens que elas encontram em situações interessantes de sobrevivência, de maneira que os humanos tenham de tomar medidas desesperadas para conseguir sobreviver.

Existem vários jogos deste género como o Resident Evil, ou o Silent Hill, que giram à volta do tema de sobrevivência e fazer escolhas difíceis, como acha que este se vai destacar deles?

Acho que o que realmente apoia o The Last of Us é o facto de termos criado um novo género de jogabilidade que é bastante fluido e que providencia bastantes opções ao jogador de maneira a que ele aproxime uma situação de maneira bastante acelerada ou que consiga abrandar as coisas sendo um pouco mais silencioso e os vários tipos de inimigos obrigam-no a fazer uma das duas, também contamos com o novo sistema de criação de objetos em tempo real, em que se cria coisas no momento para ajudar na defesa ou ofensa, no meio de uma troca de tiros, temos de nos esconder e escolher entre criar um cocktail molotov ou fazer um medicamento, ambos usam os mesmos materiais e só podemos escolher um, somos obrigados a fazer uma escolha, também exploramos as relações interpessoais ao ponto do que nos torna humanos e explicamos como, isto é algo que preenche esta história única que estamos a contar.

A comunidade de jogadores hoje em dia exigem sempre cada vez mais dos jogos, coisas mais excitantes, acha que o feedback para o The Last of Us vai ser positivo?

Bem nós esperamos que sim, certo?! (risos)

Esse é o objetivo de qualquer criador de videojogos, penso eu, nós temos várias pessoas no estúdio e analisadores de jogos com que discutimos isso e nos ajudam a analisar isso. E penso que o feedback é bastante bom por parte dos jogadores neste momento, mas é claro que encontraremos sempre pessoas que providenciam feedback de que querem algo diferente, mais ou então menos de algo.

Mas penso que também é importante dar ouvidos a isso, para quando trabalharmos em jogos no futuro podermos fazer algo melhor para os jornalistas que os testam e para os nossos fãs por isso isto é apenas o passo seguinte nesse processo.

Como foi a experiencia de criar The Last of Us, foi algo excitante ou mais difícil?

Como poderia não ser, afinal estamos a criar um novo género, isto são tudo desafios, pois no inicio ainda não sabemos como a jogabilidade vai ficar pois estamos ainda a pensar nela, é como um grande puzzle que temos de resolver, é um novo universo que temos de trabalhar, criar a história de todas as personagens e trabalhar a maneira como vai ficar, é muito excitante fazer isso porque tudo isto traz novos desafios e não podemos criar um novo universo, ou jogo, ou novo género sem ter de superar desafios, temos de descobrir a jogabilidade correta, temos de contar uma história que se aproxime mais da realidade e que tenha uma maior intensidade, existem várias maneiras de como fazê-lo, obriga-nos a trabalhar mais, mas é excitante a maneira como nos faz dar mais de nós.

Estas novas adições como o sistema de criar objetos no meio da ação, são tudo coisas novas que os outros jogos não têm, em que a maior parte do tempo são shoot’em up, acha que os jogadores irão aceitar estas mudanças?

Eu penso que quando os jogadores o experimentarem, irão perceber que o jogo que o que tentámos fazer foi criar algo que tem mais a haver com toque, com o sentimento de stresse quando estamos numa situação de combate e o de alivio de quando saímos dela e de quando temos de criar um objeto não nos sentimos seguros ao entramos no menu de pausa, porque ainda temos a ameaça iminente de que alguém nos pode encontrar ou de que andam à nossa procura enquanto estamos a criar um objeto, no fundo quisemos criar um jogo de sobrevivência que demonstre o que precisamos de fazer para sobreviver , porque quisemos criar um jogo que seja mais realista, pois é uma história de ficção mas na vida real as coisas não param só porque queremos criar algo.

Podem ver em baixo um pequeno video da entrevista. Houveram uma ou duas perguntas que ficaram cortadas, devido a problemas técnicos.

E não se esqueçam de comentar no final do post o que acharam da entrevista.

Sou aquele gajo que ama RPG’s, mas que nunca terminou o FFVII, que acha o Fallout 2 o melhor jogo de sempre, o GBC a consola que nunca foi superada (muito Pokémon na altura :P, mas devo confessar que atualmente de eleição é a PS3, mas GBC é aquela coisa) e que tem como eleição a PlayStation.

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